domingo, 18 de fevereiro de 2018

OS PRIMÓRDIOS DO PETRÓLEO NO BRASIL e UMA HOMENAGEM PÓSTUMA no CENTRO DE LETRAS DO PARANÁ por Francisco Souto Neto para o Portal Iza Zilli.


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Iza Zilli


Comendador Francisco Souto Neto



OS PRIMÓRDIOS DO PETRÓLEO NO BRASIL
E
“UMA HOMENAGEM PÓSTUMA”
NO
CENTRO DE LETRAS DO PARANÁ


Francisco Souto Neto

Dedico às minhas sobrinhas-netas
que serão a continuação das minhas memórias:
Marion Souto da Rosa Lemes
e Isabelle Edith Aguilar da Rosa

  
Arary Souto em 1951.


Na distante década de 80, meu amigo Aramis Millarch na sua coluna Tabloide do jornal O Estado do Paraná, chamou-me de guardador de memórias. Recentemente, nesta segunda década do século XXI, outro amigo jornalista, Aroldo Murá, do Diário Indústria & Comércio, repetiu as mesmas palavras ao escrever algo a meu respeito. De fato, é enorme o meu arquivo que se constitui de documentos e antigas publicações em jornais e revistas envolvendo variados assuntos. Recentemente, pondo ordem às documentações, encontrei um volume em forma de livro contendo textos inéditos, que pertenceu a meu saudoso pai, Arary Souto, com as páginas datilografadas por ele – que são cópias em papel carbono – e encadernado com uma capa impressa, na qual se lê:




CENTRO DE LETRAS DO PARANÁ

1º CONGRESSO PARANAENSE DE ESCRITORES
E
1ª EXPOSIÇÃO DE ORIGINAIS, INÉDITOS E LIVROS DE AUTORES PARANAENSES
-
19 a 23 de dezembro de 1952
(CURITIBA)

INÉDITOS

Autor:
ARARY SOUTO




A capa da obra

Página com o currículo de Arary Souto,
assinada pelo próprio autor.


Arary Souto em 1957
Assinatura de Arary Souto


A primeira página do volume contém as referências ao autor Arary Souto. Essas referências foram transcritas da página 18 do jornal de cultura “Tapejara” (editado por Faris Antônio Salomão Michaeli), de Ponta Grossa, de setembro de 1952, que na ocasião iniciava, pelo meu pai, a apresentação dos intelectuais daquela cidade paranaense que faziam parte da diretoria do Centro Cultural Euclides da Cunha. A referida página está assim composta:

                                      GALERIA DE JORNALISTAS EUCLIDIANOS
                                    ARARY SOUTO

I

“Nascido a 18 de abril de 1908 em Jacareí, no Estado de São Paulo, um dos mais velhos representantes da tradicional família Salles Souto, cujo tronco é originário do famoso banqueiro português Visconde de Souto, falecido no Rio de Janeiro. Após desempenhar nos Estados de São Paulo e Mato Grosso cargos administrativos de grande relevância, inclusive os de caráter público, transportou-se para o Paraná há seis anos, tendo aqui se dedicado às lides jornalísticas.
É sócio e membro da diretoria do Centro Cultural Euclides da Cunha; do Grupo Panamericanista de Intelectuales y Artistas de Montevideo, Uruguai; da Associação de Cultura Panamericana de Buenos Aires, Argentina; da Associação Cultural Agostín Aspiazú, de La Paz, Bolívia; da Ordem de Constantino, de Londres, Inglaterra; do Instituto de Cultura Americana, Seção Brasileira, Rio de Janeiro; acadêmico “honoris-causa” da Academia de Letras de San Marino; acadêmico “honoris-causa” da Accademia Universale de Inventori e Autori de Roma, Itália; Secretário Geral da seção do Paraná do Instituto de Cultura Americana e Diretor Seccional no Paraná, da Associação Internacional de Imprensa. É também atual diretor de redação do “Jornal do Paraná”, matutino editado nesta cidade e Diretor Assistente da Companhia Impressora do Paraná, cargos que vem desempenhando com proficiência.
Segundo parecer do Dr. Henry C. Link, do Centro Psicológico de New York, é o Sr. Souto profundo conhecedor de psicologia nos seus vários aspectos, de acordo com atestado publicado há alguns anos no “Jornal do Paraná”, com apreciação do Dr. Faris Antônio S. Michaele.
Estes, em linhas gerais, os traços inconfundíveis da personalidade do nosso prezado companheiro”.

A página assim transcrita do texto redigido pelo editor do “Tapejara” contém a assinatura de Arary Souto no volume datilografado e entregue ao Centro de Letras do Paraná. Esse volume de inéditos consta de 50 páginas timbradas pelo referido Centro de Letras, nas dimensões 23 x 32 centímetros, e contém treze diferentes textos literários, envolvendo contos, crônicas e opiniões sobre variados assuntos, escritos entre os anos de 1948 e 1952.
Um dos contos chama-se “Paisagem ofuscada”:

"Paisagem ofuscada" - texto original datilografado por Arary Souto.

PAISAGEM OFUSCADA

            Quem, nas cavalgadas intermináveis pelas imensas campinas, não sentiu, nas manhãs engrinaldadas da neblina do mês de julho – quando ela, dona dos campos, não permite a intrusão do astro-rei – um frêmito estranho ao ouvir, qual fantasma, o chilrear das aves, o seu ruflar de asas, o piado tristonho da perdiz na lomba invisível, em procura do companheiro oculto nas trevas brancas? É o quadro da natureza ofuscado pelo giz da própria natureza, como a dizer ao viandante: “Predomina sobre a minha força somente os teus ouvidos. De resto, tu és infinitamente nada para me sondares. Domino campos e seres. Enxerga-os? – Não! – Eu os agasalho e não permitirei que os teus olhos se afundem na imensidão dos horizontes, em busca de cobiça. Não tens guia. És cego. Este é o meu domínio ao mais forte. Quando me retirar ficarás dono desses horizontes. Mas eu voltarei e na minha presença serás, ainda, infinitamente nada. Eu sou a névoa, sou a treva que te desnorteia! Sou mais forte que tu!”.
Arary Souto
Ponta Grossa, agosto de 1952.


Em outro texto anterior a este, de 17 de outubro de 1948, Arary Souto refere-se ao início da exploração do petróleo no Brasil em 1923, antes da criação da Petrobrás, quando a prospecção podia ser feita por pessoas físicas, e presta uma homenagem a seu pai Francisco Souto Júnior (1881-1948), engenheiro e geólogo, que realizou uma das primeiras buscas de petróleo em solo pátrio, no município paulista de São Pedro, onde existe a Rua Engenheiro Francisco Souto Júnior em homenagem à sua memória.

 O PETRÓLEO NO BRASIL
E
UMA HOMENAGEM PÓSTUMA

            Num verdadeiro impulso de brasilidade, evocando seus dias de labor, sangrando o solo de sua pátria em busca do ouro negro tão ambicionado pelos estrangeiros, lembramos aos brasileiros que se bateram pela nacionalização da indústria do petróleo em nossa terra, tão patrioticamente apoiada pelo eminente presidente da república, general Eurico Gaspar Dutra, o que foi o vulto de Francisco Souto Júnior, amigo e adepto de Monteiro Lobato, nos primórdios da exploração do petróleo no chão brasileiro. Este relato é de conhecimento de muitos patrícios que viram em Souto Júnior a encarnação da honestidade, da bondade, de amor à família e ao solo pátrio. Com sacrifício físico e monetário, esse homem dedicou sua vida aos estudos do nosso subsolo, às expensas da Companhia Petrolífera Brasileira, que infelizmente tão má orientação teve, e foi o primeiro homem no Brasil, e quiçá na América do Sul, que fez brotar a tão ambicionada nafta nas sondagens petrolíferas do bairro da Graminha, município de São Pedro, Estado de São Paulo
                Fazendo um retrospecto desse grandioso feito, voltemos ao ano de 1923 e vamos encontrar nas colunas do Jornal de São Pedro, em um número do mês de outubro daquele ano, o seguinte comentário: “Petróleo – É com grande satisfação que informamos aos nossos leitores os resultados das pesquisas do petróleo nesta última semana, a cargo do ilustre engenheiro Souto Júnior. S. s., após uma profundidade pouco superior a dezoito metros, teve a feliz oportunidade de encontrar bem sensíveis depósitos de nafta, ou petróleo bruto, tendo em seguida enviado telegrama à sede em São Paulo, comunicando essa prodigiosa descoberta, acompanhado de uma regular quantidade do precioso líquido. Hoje ou amanhã deverão chegar, de São Paulo, o exmo. dr. Baloni e demais engenheiros, intensamente empenhados nessa questão, que, parece, está francamente resolvida. Ao sr. Souto Júnior, cujo nome e esforços patrióticos, estamos certos, ficarão perenemente ligados à grandiosidade da nossa terra, enviamos destas modestas linhas as nossas mais sinceras felicitações”.
            Mais ou menos nessa ocasião o jornal O Estado de São Paulo, em manchetes, publicava tão auspiciosa notícia, tecendo comentários, os mais francos, em prol do acontecimento, com gravuras fieis, concitando o povo brasileiro, então incrédulo, a acompanhar o maior feito mineralógico em nosso solo. Em 26 de outubro de 1923, recebia o Jornal de Piracicaba prova fiel da honradez e patriotismo de Souto Júnior, pela carta que este lhe dirigiu e da qual, entre outros assuntos, dada a humildade desse baluarte, e a vicissitude que enfrentou com os maus brasileiros e a corja de sabotadores que, mancomunados, tudo fizeram para abortar o jorro do líquido negro neste chão tão maculado por indivíduos de ruim jaez. É o que transcreve aquele jornal, com o seguinte cabeçalho: O QUEROSENE EM SÃO PEDRO. E no seu singelo diapasão, declara Souto Júnior: “Sou um brasileiro que procura, por todas as formas, honrar a Pátria que lhe serviu de berço; repetindo, da significação do acontecimento, é o motivo de vir abusar de vossa bondade. Cumpre-me, também, levar ao vosso conhecimento que só agora disponho de uma máquina perfuradora, após nove anos de lutas sem tréguas, máquina esta pertencente à Companhia Petrolífera Brasileira, por cuja prosperidade, e com a maior boa vontade, tenho empregado os meus sinceros esforços, convindo notar que a referida máquina ainda não está em funcionamento. Está claro, sr. redator, que nas condições que com a máxima sinceridade acima exponho, não poderia eu descobrir os desejados ‘pools’ de petróleo, o que, aliás, não é necessário para se proclamar, alto e bom som, a existência do tão cobiçado mineral, e que provo solenemente com a oferta que faço à minha idolatrada Pátria, de uma infiltração de nafta, com pronunciamento pouco vulgar, e em perfeito estado de conservação, manifestando-se em rochas, que me autorizam afirmar sob minha palavra de honra, a existência do petróleo em nossa zona, devendo fatalmente estender-se por horizonte vastíssimo. Peço vênia para desafiar, baseando sempre no principal motivo que aqui me traz, refutando maleivosas manifestações contrárias, a contestação sensata da minha afirmativa. Por isso, sr. redator, proclamo novamente, alto e bom som, a existência de petróleo em nosso caro Brasil, penitenciando-me no Sagrado Altar da Pátria, se notabilidades no assunto me desmentirem, após as análises cuidadosas dessas ocorrências. Convém ainda notar (o que é de máxima importância) que todos os mencionados caprichos geológicos foram encontrados pelo humilde missivista, a dezoito metros de profundidade, em um poço cavado, com acompanhamento de todas as espécies de sacrifício, a picareta e explosões. Poderia ir além, se já não estivesse abusando de vossa bondade, motivo pelo qual encerro minha obscura missiva, agradecendo, mais uma vez, de todo coração, pela sua atenção. Francisco Souto Júnior”.
            Hoje, nas imediações onde Souto Júnior sacrificou uma existência, erguem-se, majestosas, as termas sulfurosas de São Pedro, fruto do seu esforço em busca do petróleo. A dois do corrente entregou sua alma ao Criador, esse brasileiro puro e imaculado. Eu não podia deixar de lhe prestar este tributo, porque, além de ter sido o meu maior amigo, ele foi, também, meu extremoso pai.          
Arary Souto.
Ponta Grossa, 17 de outubro de 1948.


Óleos sobre tela de Francisco Souto Júnior (à esquerda) e Arary Souto (à direita).

         Tenho refletido sobre a manifestação inspiradora do meu pai em relação a seu genitor, e as palavras deste último – meu avô – publicadas no Jornal de Piracicaba no dia 26 de outubro de 1923, voltadas ao desejo de beneficiar a Pátria. Esses antigos escritos passam agora por mim e alcançam minha sobrinha, a advogada e escritora Dione Mara Souto da Rosa, bisneta de Francisco Souto Júnior. E toda esta dança de quatro gerações, numa espécie de formidável mandala formada por letras, palavras e frases, nasceu do trabalho datilográfico do meu pai com a finalidade de figurar num livro de inéditos promovido em 1952 pelo Centro de Letras do Paraná, a mesma instituição cultural cujo edifício-sede abrigou a ALJA – Academia de Letras José de Alencar até ao ano de 2014, Academia da qual eu e minha sobrinha somos membros, na qualidade de sócios patronímicos. Portanto, esta mandala cósmica ou espiritual faz uma completa e mágica jornada, partindo do volume “Inéditos de Arary Souto” no Centro de Letras e dando um longo giro de translação num movimento que durou 66 anos, – de 1952 ao corrente 2018 – ao redor de algo tão poderoso e intenso que escapa à nossa capacidade de compreensão, finalmente fechando-se sobre mim e minha sobrinha ao nos reunirmos no mesmo Centro de Letras, frequentado no passado por Arary Souto.
Foi ainda no Centro de Letras do Paraná que a ALJA completou exatos três quartos de século de existência – 75 anos! – pouco antes de iniciar uma fase inteiramente nova de sua gloriosa escalada ao instalar-se, a partir de agosto de 2014, no Palacete dos Leões, pertencente ao Espaço Cultural BRDE, dando início a uma profícua parceria de cultura entre ambas as instituições em prol do Estado do Paraná.
Ao fim da minha adolescência, Arary Souto (1908-1963) nos deixou prematuramente, levado por insidiosa doença. Minha mãe Edith Barbosa Souto (1911-1997) manteve acesa a luz da memória de meu pai, simbolizada por uma fotografia dele num porta-retrato que manteve sempre ao lado de um vaso com flores frescas. A lembrança e o exemplo de ambos têm sido uma permanente fonte de inspiração, o lume que me guia e me estimula na jornada através da vida.

*

POST SCRIPTUM

          Abaixo, homenagem do radialista Aldo Mikaelli, de Ponta Grossa, a Arary Souto e Francisco Souto Neto, em antecipação das páginas do livro que deverá ser lançado neste ano de 2018, ainda inédito, que retratará os vultos históricos da cidade de Ponta Grossa:

 Arary Souto 

Francisco Souto Neto

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sábado, 13 de janeiro de 2018

HISTÓRIAS BONITAS E FEIAS DO CEMITÉRIO DO CATUMBI por Francisco Souto Neto para o Portal Iza Zilli.


O Cemitério do Catumbi e a sua depredação (Foto F. Souto Neto).

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Iza Zilli

Comendador Francisco Souto Neto


Histórias bonitas e feias do Cemitério do Catumbi


Há 50 anos, portanto há meio século, desde 1968 venho acompanhando os desacertos e acertos ocorridos no Cemitério São Francisco de Paula, mais conhecido como Cemitério do Catumbi, a mais antiga necrópole do Rio de Janeiro, e onde estão inumadas as mais importantes personalidades do Brasil Imperial.

Em 1968, ao visitar os túmulos dos meus trisavós, o visconde e a viscondessa de Souto, notei que uma favela avançava sobre os fundos do cemitério, justamente onde se localiza o setor histórico. Havia um muro que tentava conter a expansão daquela comunidade, porém existia um portão – melhor dizendo, um buraco tosco – no referido muro, por onde entravam e saíam pessoas. Eram os moradores da favela que para encurtar o caminho, passavam por dentro do cemitério para poderem chegar às ruas convencionais da cidade.

Francisco Souto Neto em 1968 ao lado do jazigo perpétuo do visconde de Souto no setor 1 do Cemitério do Catumbi.

 
O túmulo da Viscondessa de Souto no setor 2, idêntico ao do Visconde.

Em ambos os túmulos faltavam algumas floreiras de mármore, também os bustos do Visconde e da Viscondessa que existiam dentro das capelas desapareceram, e a cruz gótica sobre o telhado da capela do jazigo do Visconde foram arrancada. Nos anos seguintes, o abandono e a péssima administração da proprietária da necrópole – a Venerável Ordem Terceira dos Mínimos de São Francisco de Paula – não impediu o crescente vandalismo e os furtos de delicadas esculturas em mármores de Carrara. Num crescendo, a situação atingiu o caos.

Em janeiro de 1985, um fato inacreditável: fui ao Rio de Janeiro e ao tentar visitar os túmulos dos meus antepassados, surgira um matagal com altura de dois metros nas “ruas” do setor histórico do cemitério. Identificando, ao longe, o telhado da capela do túmulo do Visconde de Souto, avancei derrubando mato com as próprias mãos em meio a sepulturas com campas quebradas e esculturas fragmentadas. Ao chegar ao meu destino, o jazigo do Visconde estava também com a campa arrebentada, e dentro dela vi vários sacos de plástico contendo ossos humanos: costelas, tíbias, crânios.


Em 1985, duas fotos justapostas. À esquerda, o túmulo do Visconde no meio de um matagal. À direita, a campa quebrada e, dentro do túmulo, sacos de lixo com ossadas humanas de desconhecidos.

Dei ciência das irregularidades à Venerável Ordem proprietária do cemitério, pedi providências urgentes, a começar pela limpeza dos caminhos e ruas, e retornei a Curitiba.  

Retornei ao Rio dois meses depois, em março de 1985, para verificar “in loco” a situação. Nada se modificara, o setor histórico continuava no meio do mato. Além do caminho que eu abrira até ao túmulo do meu trisavô, havia apenas mais uma trilha que levava ao buraco no muro por onde continuavam passando pessoas.

Mobilizei a imprensa do Rio. A maior receptividade que recebi foi do Jornal do Brasil, embora outros tenham dado algumas notas sobre o assunto. O Jornal do Brasil mandou repórteres que foram até ao túmulo do Visconde de Souto, comprovaram que os sacos de lixo cheios de ossos dentro do túmulo lá permaneciam, que o setor histórico estava intransitável e com os sepulcros arrebentados, e fizeram uma reportagem do alto ao pé da página. Neste ínterim exigi à administração do cemitério que desse um destino cristão aos ossos de pobres desconhecidos.

Reportagem do Jornal do Brasil

A partir de então, as coisas começaram a mudar. Ao retornar ao Rio no mês de outubro do mesmo ano de 1985, desta vez na companhia de minha amiga Mercedes Pilati que estava residindo na capital fluminense, o túmulo do Visconde de Souto encontrava-se totalmente quebrado, ao rés do chão. O cemitério estava pela primeira vez livre do mato. Porém precisei retornar a Curitiba, porque eu trabalhava no Banco do Estado do Paraná, e minhas ausências ao emprego podiam dar-se apenas nos fins de semana.

Todos os jornais de Curitiba tomaram conhecimento dos fatos, e publicaram reportagens, porque o jornalista Aramis Millarch, que lia o Jornal do Brasil e encontrou o asssunto sobre do escândalo do cemitério, publicou grandes artigos no O Estado do Paraná, no que foi seguido por inúmeros outros profissionais da imprensa que deram grande apoio à questão, tais como Dino Almeida, Alcy Ramalho Filho, Wilde Martini, Mary Schaffer, Iza Zilli, Ruy Barrozo, David Carneiro e Calil Simão.

O historiador David Carneiro publicou em novembro do mesmo ano de 1985 o artigo “Zacarias e a necrópole do Catumbi”:

Crônica de David Carneiro em novembro de 1985, sobre Visconde de Souto e Zacarias de Góis e Vasconcelos.

Em setembro de 1986 viajei ao Rio uma vez mais, para contratar um marmorista que restaurasse a lápide original do túmulo do Visconde, e construísse um novo jazigo.

Ao chegar ao Cemitério do Catumbi, nova decepção: em apenas onze meses o matagal estava novamente com dois metros de altura. As fotografias adiante registraram o absurdo:


Entrando no setor 1, onde está a sepultura do Visconde de Souto. Ao fundo, a favela.



Deixei os marmoristas no túmulo para iniciarem  trabalho, e andei um pouco pelo cemitério. A estátua que se avista ao centro da foto é do túmulo da Marquesa de Olinda. Por incrível que pareça, os marmoristas estavam trabalhando no túmulo do Visconde exatamente ao lado, sem serem vistos. Assim pode-se avaliar a altura e densidade do matagal.

 
Os números indicam: 1 – Túmulo do Marquês de Olinda. 2 – Marquesa de Olinda. 3 – Túmulo do Visconde de Souto, desaparecido no mato.

 
O túmulo desabado do Visconde de Souto no meio do matagal.

 
Os marmoristas começam a limpeza do túmulo desabado.

Os marmoristas mexendo no túmulo desabado.

 
Os marmoristas conseguem juntar os pedaços da lápide original do Visconde de Souto, para colocá-la no novo túmulo.

No ano seguinte, em fevereiro de 1987, retornei ao Rio com o propósito de eu mesmo mapear os setores 1 e 2 – os setores históricos – para deixar documentado algo de que o próprio cemitério não dispunha.

Agora o mapa existe, feito por mim, e as identificações das sepulturas constam do livro Visconde de Souto: Ascensão e “Quebra” no Rio de Janeiro Imperial:

O mapeamento dos dois setores históricos do Cemitério do Catumbi.

Ainda em 1987 voltei ao Rio de Janeiro para verificar se as providências foram tomadas. O túmulo do Visconde de Souto recebeu uma nova campa de mármore. A lápide original, restaurada, encontrava-se colada sobre o mesmo. As fotografias das páginas do álbum, abaixo, atestam esses fatos.

Na folha de álbum acima, vê-se na primeira foto a lápide original restaurada, na segunda foto a campa do túmulo com sua nova cobertura, sobre a qual está colada a lápide original, e na parte inferior a pequena placa que se vê na terceira foto, com alusão aos problemas ocorridos. Na quarta foto, a situação atual dos túmulos do Marquês e Marquesa de Olinda, e do sepulcro do Visconde de Souto.

No mesmo ano de 1987 Aramis Millarch, de O Estado do Paraná, publicou na edição de 5 de abril o artigo “O guardião da memória do cemitério”, como se vê adiante:

A reportagem de Aramis Millarch.

 Após mandar reconstruir o túmulo do Visconde de Souto em 1987, levei muitos anos sem voltar ao Rio de Janeiro. Passados 22 anos, em 2009 viajei ao Rio com minha prima Lúcia Helena Souto Martini, com o objetivo de realizarmos pesquisas para o livro que estávamos escrevendo em coautoria, Visconde de Souto – Ascensão e “Quebra” no Rio de Janeiro Imperial. No dia que planejamos visitar o Cemitério São Francisco de Paula, mais conhecido como Cemitério do Catumbi, acompanhou-nos Sílvia Maria Pinheiro Grumbach, esposa de José Roberto Ponce Grumbach (nosso primo, descendente do Visconde de Souto e do Marquês de Olinda). Por gentileza da Drª Isaura Taveira Barbosa, diretora da Beneficência Portuguesa, acompanhou-nos no táxi, nas visitas que fizemos à Capela Mayrink e ao Cemitério do Catumbi, o chefe de segurança da Beneficência Portuguesa, para nos proteger da violência urbana.

Ao chegarmos ao Cemitério do Catumbi, fomos atendidos pelo atencioso administrador, que nos levou em carro elétrico até ao setor histórico da necrópole, que estava em perfeita ordem, e todas as suas ruas cimentadas entre os túmulos para que não voltasse a crescer o mato;  cumprimentei o administrador por isso. Porém, para minha surpresa e decepção, tinha desaparecido a campa de granito que em 1987 eu mandara colocar sobre o túmulo do Visconde de Souto, e com ela foi-se a preciosa lápide original que naquela época eu mandara restaurar. O túmulo encontrava-se como mostram as fotos abaixo. 


Na foto acima vê-se à esquerda um pedaço do túmulo do Marquês de Olinda. O túmulo ao lado, que é encimado por uma estátua de mulher, é da Marquesa de Olinda. Em seguida, ao lado do túmulo da Marquesa, encontra-se o do Visconde de Souto com uma tampa de cimento e sem identificação. Na fila de baixo, minha primas Lúcia Helena e Sílvia examinam uma sepultura com a campa quebrada.


 
Na foto acima, está o túmulo do Visconde de Souto sem a campa a cobri-lo, e sem a lápide original, coberto com apenas cimento e sem nenhuma identificação. Por incrível que pareça, roubaram a campa que cobria o túmulo, e foi-se ela com a lápide original que eu mandara restaurar anos antes, em 1987.

No ano de 2011 eu e Lúcia Helena Souto Martini voltamos ao Rio de Janeiro, desta feita a convite de nossa prima Cybelle de Ipanema (presidenta do IHGRJ – Instituto Histórico e Geográfico do Rio de Janeiro, e diretora do IHGB – Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro) para proferirmos uma palestra, seguida de debate com a plateia, na sede do IHGB, sob o tema “A Chácara do Souto e seu Jardim Zoológico”, alusão ao nosso artigo publicado naquele ano na Revista do IHGRJ ano 18, nº 18, 2011. Na ocasião, procurei pelo marmorista Alessandro Mário (Rua Dom Pedro Mascarenhas, 19, telefones 3972-6546 e 9192-9799) a quem encomendei a colocação de uma nova campa de granito sobre o túmulo do Visconde de Souto, e a reconstituição da lápide (com base em fotografia) em alto relevo, em mármore de Carrara, e com a ortografia original de 1880. O marmorista efetuou primoroso trabalho, e o túmulo ficou pronto no ano de 2012, conforme se vê nas fotografias abaixo, ambas gentilmente tiradas pelo próprio marmorista Alessandro Mário:

Aspecto atual do túmulo do Visconde de Souto. Está assim, limpo e decente, desde 2012.

 
A nova lápide de mármore é uma réplica da original, na ortografia vigente no final do século XIX.

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A HISTÓRIA COMPLETA COM DEZENAS DE FOTOGRAFIAS:
Toda a história destes últimos 50 anos do Cemitério do Catumbi poderá ser vista em treze partes ou capítulos que estão na internet nos seguintes links:
PARTE 1:  1969 – VISITANDO O CATUMBI


PARTE 2:  1972 – O LIVRO ARTE E SOCIEDADE NOS CEMITÉRIOS BRASILEIROS


PARTE 3:  JANEIRO DE 1985 – O CEMITÉRIO DO CATUMBI VANDALIZADO


PARTE 4:  MARÇO DE 1985 – A VIGOROSA REPORTAGEM DO JORNAL DO BRASIL


PARTE 5:  ABRIL DE 1985 – ARAMIS MILLARCH E A REPERCUSSÃO NO PARANÁ


PARTE 6:  MAIO DE 1985 – O CONSTRANGIMENTO COM DAVID CARNEIRO


PARTE 7: OUTUBRO DE 1985 – DECEPÇÕES


PARTE 8:  VETERANA VERBA DE 26 DE NOVEMBRO DE 1985


PARTE 9:  SETEMBRO DE 1986 – RETORNO AO CATUMBI


PARTE 10:  FEVEREIRO DE 1987 – O MAPA DOS SETORES HISTÓRICOS DO CEMITÉRIO


PARTE 11:  O TABLÓIDE DE 5 DE ABRIL DE 1987


PARTE 12:  1997 – UM SALTO NO TEMPO


PARTE 13: 2009 – 40 ANOS APÓS A PRIMEIRA VISITA AO CATUMBI (COM ADENDO DE 2018)



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sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

HISTÓRIAS DO CEMITÉRIO DO CATUMBI PARTE 13 (FINAL) por Francisco Souto Neto.

HISTÓRIAS DO CEMITÉRIO DO CATUMBI
PARTE 13 (FINAL)

Francisco Souto Neto

A obra biográfica Visconde de Souto: Ascensão e “Quebra no Rio de Janeiro Imperial”, escrita em coautoria por mim e minha prima Lúcia Helena Souto Martini, conta com um APÊNDICE em sua parte final, da página 457 à 510, subintitulado O Cemitério do Catumbi, no qual faço o relato do que foi a minha luta desde o ano de 1969 – há quase meio século –  pela preservação do setor histórico da referida necrópole do Rio de Janeiro, onde estão sepultados os mais importantes vultos históricos do Brasil Imperial.
O Apêndice conta com 13 capítulos. Este é o 13º capítulo do Apêndice.

APÊNDICE

O CEMITÉRIO DO CATUMBI:
DEPOIMENTO DE FRANCISCO SOUTO NETO


13

2009 – 40 ANOS APÓS A PRIMEIRA VISITA AO CATUMBI


Embora este depoimento estivesse finalizado no capítulo 12, pareceu-me necessário acrescentar mais algumas considerações.
Eu e minha prima Lúcia Helena Souto Martini estávamos encerrando a biografia do visconde de Souto no segundo semestre de 2009. Retocávamos o texto, quando decidimos viajar ao Rio de Janeiro para realizar pesquisas complementares e visitar alguns locais ligados à vida do nosso biografado. Uma das expectativas era a de irmos ao Cemitério do Catumbi, 40 anos depois da minha primeira visita àquela necrópole, e 22 após a última. Soubemos que o monsenhor Abílio Ferreira da Nova9 continuava sendo o provedor da Venerável Ordem. Eu já tinha sido informado de que o tombamento da necrópole não chegou a se realizar. Pelo que soube através do próprio IPHAN, infelizmente este não teve força bastante na luta contra o desinteresse da proprietária do campo-santo.
Na tarde do dia 20 de agosto de 2009 rumamos ao Cemitério do Catumbi na companhia de Sílvia Maria Pinheiro Grumbach. Conforme relato em V – PASSADO REVISITADO, da obra Visconde de Souto: Ascensão e “Quebra” no Rio de Janeiro Imperial, no dia anterior visitáramos a Beneficência Portuguesa, quando sua diretora Isaura Taveira Barbosa, ao saber que iríamos àquela necrópole, ofereceu-nos como acompanhante o chefe da segurança daquela instituição, Jorge Pinto da Silva Júnior, para proteger-nos de situações imprevisíveis, porque o local tornou-se muito perigoso.
Fomos recebidos pelo administrador da necrópole, que antes de subirmos ao setor histórico mostrou-nos que o cemitério é agora vigiado por câmeras. Rumamos ao túmulo da viscondessa de Souto no setor 2, no qual constatamos o furto da cruz neo-gótica que existiu sobre a capela.
Em seguida subimos ao setor 1, que encontramos tão limpo quanto o 2. Entretanto... em grande maioria dos túmulos desapareceu a rica decoração em mármore esculpido. Em seu lugar, restaram apenas retângulos de pedra cobertos de cimento, sem identificação. Muito impressionado, não encontrei de imediato o jazigo do visconde de Souto. Foi preciso localizar seus vizinhos, os túmulos do marquês e da marquesa de Olinda, quase em ruínas, para ver que a sepultura do visconde de Souto é agora apenas um retângulo toscamente cimentado, não identificado. Simplesmente desapareceu a campa de granito que em 1986 ali coloquei, e que deveria durar séculos, sobre a qual eu mandara afixar a lápide original, restaurada. Alguns delinquentes devem ter gostado do granito e, de algum modo, desprenderam-no, levando-o para alguma finalidade inimaginável. Ou para vendê-lo. A preciosa lápide de 1880, inútil para os ladrões, deve ter sido descartada no lixo.
O administrador que nos acompanhava, mostrou-nos a região à esquerda do setor 1, tratada no Capítulo 7 deste depoimento, agora desmatada, contando-nos que recentemente “a facção” tinha permitido que o matagal fosse limpo. Atrás do muro, e colada ao mesmo, a favela mostrava-se muito ampliada e totalmente pintada de verde. Centenas e centenas de casebres monocromáticos, a perder de vista, todos eles ostentando o mesmo verde desbotado. A explicação: “a facção” exige aos moradores que a pintura de todas as casas seja naquela mesma cor e tom, para que a polícia tenha maior dificuldade em localizar alguma em particular.
O Rio de Janeiro, na primeira década do século XXI, tem sido a “cidade das balas perdidas”, onde o narcotráfico dita aos cidadãos de bem o que pode e o que não pode ser feito. Aparentemente, as pessoas encaram tal absurdo como natural, e parece que as autoridades se conformam com essa afronta, porque até agora não se conhecem medidas efetivas no combate ao crime.
Algo de muito errado está acontecendo. Neste país a corrupção grassa em todos os níveis da política. Os criminosos “de colarinho branco”, em Brasília, orgulhosos da sua impunidade, sorriem nas fotos estampadas nas revistas, e isso não escandaliza o suficiente, e pouco mobiliza o povo a uma reação pela moralidade e a ética10.
Sanear a Pátria é a dura tarefa a ser transmitida às novas gerações pelos homens de bem do nosso tempo. Os antepassados dos brasileiros contemporâneos, aqueles que tão bravamente lutaram pelo engrandecimento do país e legaram o exemplo da sua retidão, aqueles, inumados no Catumbi, sentiriam vergonha se soubessem que a corrupção e a violência tornaram-se habituais por aqui.
A discussão sobre os setores históricos do Catumbi não se encerrou. É necessário que os descendentes dos ali inumados tomem consciência da sua responsabilidade, reconstruam os túmulos dos seus antepassados e se unam em torno de uma nova tentativa pela preservação e tombamento daquele solo sagrado.
Que os gloriosos construtores deste país, que viveram em gerações passadas, continuem servindo de bom exemplo aos faltosos brasileiros contemporâneos, “até que outro valor mais alto se alevante”.

Francisco Souto Neto
Curitiba, 20 de janeiro de 2010

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NOTAS A APÊNDICE
9 No dia 8 de setembro de 2010, o monsenhor Abílio Ferreira da Nova foi preso em flagrante pela Polícia Federal no Aeroporto Internacional Tom Jobim, Rio de Janeiro, tentando embarcar para a cidade do Porto, em Portugal, “com cerca de R$102,6 mil não declarados”, segundo o jornal O Estado de São Paulo, o que foi também noticiado pelos principais periódicos e revistas do Brasil. Nas palavras da Veja, “Monsenhor Abílio tentava embarcar para Portugal com 52 mil euros. Parte das cédulas estava escondida nas meias e na cueca do religioso”.
10 A partir de 2010 a Secretaria Estadual de Segurança Pública do Rio de Janeiro instituiu Unidades de Polícia Pacificadora nas comunidades, para expulsar e prender quadrilhas ligadas ao narcotráfico, que controlam esses lugares como estados paralelos.

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ADENDO À PARTE 13 (FINAL)
Depoimento de Francisco Souto Neto

Após mandar reconstruir o túmulo do Visconde de Souto em 1987, levei muitos anos sem voltar ao Rio de Janeiro. Passados 22 anos, em 2009 viajei ao Rio com minha prima Lúcia Helena Souto Martini, com o objetivo de realizarmos pesquisas para o livro que estávamos escrevendo em coautoria, Visconde de Souto – Ascensão e “Quebra” no Rio de Janeiro Imperial. No dia que planejamos visitar o Cemitério São Francisco de Paula, mais conhecido como Cemitério do Catumbi, acompanhou-nos Sílvia Maria Pinheiro Grumbach, esposa de José Roberto Ponce Grumbach (nosso primo, descendente do Visconde de Souto e do Marquês de Olinda). Por gentileza da Drª Isaura Taveira Barbosa, diretora da Beneficência Portuguesa, acompanhou-nos no táxi, nas visitas que fizemos à Capela Mayrink e ao Cemitério do Catumbi, o chefe de segurança da Beneficência Portuguesa, para nos proteger da violência urbana.
Ao chegarmos ao Cemitério do Catumbi, fomos atendidos pelo atencioso administrador, que nos levou em carro elétrico até ao setor histórico. Para minha surpresa e decepção, tinha desaparecido a campa de granito que em 1987 eu mandara colocar sobre o túmulo do Visconde de Souto, e com ela foi-se a preciosa lápide original que naquela época eu mandara restaurar. O túmulo encontrava-se como mostram as fotos abaixo. Na primeira foto abaixo vê-se à esquerda um pedaço do túmulo do Marquês de Olinda. O túmulo ao lado, que é encimado por uma estátua de mulher, é da Marquesa de Olinda. Ao lado do túmulo da Marquesa, encontra-se o do Visconde de Souto com uma tampa de cimento e sem identificação. Na ala de baixo, na direção do túmulo do Visconde de Souto, Lúcia Helena Souto Martini e Sílvia Grumbach examinam o desabamento de uma outra sepultura. Na segunda foto abaixo, está o túmulo do Visconde de Souto sem a campa, sem a lápide original, coberto com cimento e sem nenhuma identificação.




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No ano de 2011 eu e Lúcia Helena Souto Martini voltamos ao Rio de Janeiro, desta feita a convite de nossa prima Cybelle de Ipanema (presidenta do IHGRJ – Instituto Histórico e Geográfico do Rio de Janeiro, e diretora do IHGB – Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro) para proferirmos uma palestra, seguida de debate com a plateia, na sede do IHGB, sob o tema “A Chácara do Souto e seu Jardim Zoológico”, alusão ao nosso artigo publicado naquele ano na Revista do IHGRJ ano 18, nº 18, 2011. Na ocasião, procurei pelo marmorista Alessandro Mário (Rua Dom Pedro Mascarenhas, 19, telefones 3972-6546 e 9192-9799) a quem encomendei a colocação de uma nova campa de granito sobre o túmulo do Visconde de Souto, e a reconstituição da lápide, com base em fotografia, em alto relevo, em mármore de Carrara, com a ortografia original de 1880. O marmorista efetuou primoroso trabalho, e o túmulo ficou pronto no corrente ano de 2012, conforme se vê nas fotografias abaixo, ambas gentilmente tiradas pelo próprio marmorista Alessandro Mário:



Aspecto atual do túmulo do Visconde de Souto.


A nova lápide de mármore é uma réplica da original, na ortografia vigente no final do século XIX.

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Curitiba, 12 de janeiro de 2018
Francisco Souto Neto


FIM